ECLIPSE

Um filme de Djin Sganzerla

ESTREIA EM MAIO DE 2026
Role para explorar
O filme

Cleo, uma astrônoma grávida de São Paulo, é surpreendida pela visita de sua meia-irmã Nalu, que revela um segredo perturbador, despertando memórias fragmentadas. Com uma estranha conexão com uma onça, Nalu quer e irá desestabilizá-la. Cleo descobre atividades suspeitas no computador do marido, Tony, que é habitué de zonas sombrias da deep web, mergulhando-as em uma exploração com profundas consequências.

https://eclipseofilme.com.br/dossie/cleo

ECLIPSE, de Djin Sganzerla é um filme essencial para o atual momento brasileiro e mundial.
Entrelaçando estética e política, personagens densos e um roteiro bem construído, numa excelente direção geral, Eclipse faz refletir sobre a cultura da violência patriarcal-colonial e sobre como as mulheres podem sobreviver a ela.

Eclipse se desenvolve entre oposições numa geometria interna que faz pensar. Visível e invisível, o que é e o que parece ser produzem um jogo de sombras entre as cores do filme. Natureza e cultura, céu e terra, floresta e cidade, animal e humano, homem e mulher, feminino e masculino, intuição e ciência, razão e sensibilidade, cativeiro e liberdade são os opostos ora em comunhão, ora em conflito que estruturam a trama.

Talvez a onça seja o seu personagem principal, ainda que pareça um fator correndo em paralelo enquanto pontua a narrativa envolvendo as duas irmãs, Cleo e Nalu. Nas cosmologias ameríndias a onça é o mais poderoso dos seres. O “jaguar” é o destino dos heróis. Em Eclipse, ela é emblema da mulher atacada e “caçada”, mas que, por sua própria natureza, não cede de seu instinto de sobrevivência intimamente ligado à dignidade, à liberdade, à autonomia. A coragem é a mais básica reação diante da violação desses valores.

Das fugas de Nalu pela mata à cena em que Cleo atravessa a casa e chega à rua, o que vemos é a afirmação da onça como destino. Distribuindo a energia imagética da narrativa, a onça é o elo entre as duas irmãs que, cada uma à sua maneira, realiza seu destino de ser ela mesma a onça. Assim acontece com Nalu, a irmã indígena, portadora do espírito da onça desde sua casa na floresta onde habita uma avó ancestral. Cleo vem a ser a irmã urbana, astrônoma, que recebe de presente da avó de Nalu uma escultura em forma de cabeça de onça, emblema de seu reconhecimento familiar.

A trama envolve o encontro dessas mulheres cujo elo histórico é sanguíneo e violento, enquanto um elo supra-histórico, de reconhecimento, vai se desenvolve ao longo da narrativa até chegar ao amor das irmãs uma pela outra, até a constituição da sororidade. Nalu era abusada pelo pai, enquanto Cleo relembrará que o pai também abusou dela na infância.
Apesar desse elo abjeto, elas se tornam mulheres que aprendem a se defender, que são livres, sábias e dignas. A sororidade é a noção que desponta e se afirma ao longo do filme. Mas o encontro entre elas é também marcado pelo que Vilma Piedade chamou de “dororidade”. A dor que as une é a mesma leva a lutarem juntas.

A sororidade feminina é, nesse contexto, confrontada com a fraternidade masculina. É o poder da sororidade, do amor das irmãs, que vai desmascarar a falsidade do marido de Cleo. Amoroso com sua esposa em casa, ele tem uma prática oculta. Junto a um grupo de homens, inclusive seu próprio pai, ele participa de festas nas quais se praticam estupros recreativos de mulheres jovens. O personagem do marido é um emblema do patriarcado predador, da fratria abjeta, que seduz para fazer vítimas, que engana, mente e manipula usando uma máscara de bom moço, filho preocupado e pai de família, enquanto pratica suas perversões criminosas às escondidas. A casa onde Cleo vive, portanto, não é um lar simplesmente, ao contrário, ficará claro seu caráter de cativeiro. O marido “cuidador” é, na verdade, o predador à espreita, analogamente ao cuidador da onça no zoológico. O roteiro fornece o caminho para essa conclusão sobre a onça-mulher aprisionada: logo no começo do filme, Cleo dirige o carro e, sentindo náusea por estar grávida, precisa parar para vomitar no exato instante em que ouve no rádio que uma onça presa em cativeiro atacou seu cuidador.

Assim, o filme trabalha com desmistificações do sistema patriarcal de um modo muito sutil: a enganação do amor romântico, a farsa do marido e da família perfeita, a casa apresentada como um território perigoso no qual a maternidade pode ser uma armadilha. Eclipse é uma sequência de “eclipses” que mostram aquilo que o patriarcado gostaria de manter oculto e que uma mulher “astrônoma”, a mulher emblema da sabedoria, da pesquisa, da paciência e da firmeza, saberá nomear.

O filme não faz nenhuma apologia de “superações”, “resiliências” ou algo do tipo, ele não mistifica clichês, ao contrário, apresenta-os para desmontá-los elegantemente. Além disso, Eclipse faz saber que, apesar da força pessoal das mulheres, é certo que elas precisam umas das outras para sobreviver à violência que lhes é destinada no circulo predatório do patriarcado.

Ensaio visual sobre a sororidade, Eclipse é a história da construção de um amor entre irmãs e de uma luta por uma vida boa a justa.

Texto por Márcia Tiburi

RA 14H 29M 42S DEC -60° 50' 00"
ALT +12.42° AZ 184.21°

ALINHAMENTO TOTAL

Trailer oficial
Galeria de fotos
Personagens

Cleo

Tony

Nalu

Lucélia

Seu Roberto

Gilda

Elenco principal
Cleo
Djin Sganzerla
Tony
Sergio Guizé
Nalu
Lian Gaia
Seu Roberto
Luís Melo
Lucélia
Selma Egrei
Proprietária kitnet
Helena Ignez
Médica
Clarisse Abujamra
Gilda
Gilda Nomacce
Felipe
Pedro Goifman
Uiara
Victória Maranho
Professora Alice
Muriel Matalon
Garota vítima
Beatriz Galli
Pesquisadora
Julia Katharine
Pesquisadora
Nilcéia Vicente
Chefe IAG
Beto Matos
Cleo criança
Elisa Werneck
Avó de Nalu
Marina da Silva
Pai do Tony
Hilton Gnes
Prima Yara
Jéssica Soares
Pai de Cleo e Nalu
Ricardo Monastero
Equipe
Roteiro
Djin Sganzerla e Vana Medeiros
Consultoria de Roteiro
Aleksei Abib
Contribuição no Roteiro
Marcos Arzua
Direção de Fotografia
André Guerreiro Lopes
Direção de Arte e Figurino
João Marcos de Almeida
Montagem
Karen Akerman, edt e Karen Black, edt
Som
George Saldanha, ABC
Trilha Sonora Original
Gregory Slivar
Desenho de Som e Mixagem
Edson Secco
Produzido por
Djin Sganzerla
Produção Executiva
Vitor Cunha
Direção de Produção
Roberta Cunha
Diretora de Elenco (Casting)
Patricia Faria
Pós-Produção
Clandestino
Produção
Mercúrio Produções
Criação de Trailer
Movietrailer
Distribuição
Pandora Filmes e Mercúrio Produções
Assessoria de Imprensa
Sinny Assessoria e Comunicação
Imprensa

Folha de São Paulo /

/ Out. 2025

ACESSO_CONCEDIDO

O Globo /

/ Out. 2025

ACESSO_CONCEDIDO

Estadão /

/ Out. 2025

Um thriller bem construído e fotografado, que se amolda a temas contemporâneos, uma obsessão do cinema brasileiro atual.

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ACESSO_CONCEDIDO

Revista de Cinema /

/ Out. 2025

Filmes pré-indicados ao Oscar vão disputar o Troféu Bandeira Paulista com “Eclipse”

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ACESSO_CONCEDIDO

Instituto Moreira Salles /

/ Out. 2025

Eclipse, de Djin Sganzerla. Em seu segundo longa como diretora, Djin encarna uma astrônoma grávida que reencontra sua meia-irmã indígena e, ao mesmo tempo, descobre casualmente na deep web uma vida paralela e sombria do...

ACESSO_CONCEDIDO

Mulher no Cinema /

/ Out. 2025

Djin Sganzerla é a diretora, roteirista, produtora e protagonista de Eclipse, longa-metragem que integra a programação da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que ocorre de 16 a 30 de outubro.

...
ACESSO_CONCEDIDO

Correio da Manhã // Rodrigo Fonseca /

/ Out. 2025

ECLIPSE, de Djin Sganzerla: Cinco anos depois de sua estreia na direção com “Mulher Oceano” (2020), a premiada atriz de “Falsa Loura” (2008) narra a saga de Cleo, astrônoma de 43 anos grávida (vivida pela...

ACESSO_CONCEDIDO
DIRETORA & ROTEIRISTA

Djin

Sganzerla

Djin Sganzerla é diretora, atriz, roteirista e produtora de cinema. Iniciou sua carreira como atriz, trabalhando com alguns dos mais respeitados cineastas do país e recebendo diversos prêmios, entre eles o APCA de Melhor Atriz de Cinema.

Em 2020, lançou seu primeiro longa-metragem como diretora, Mulher Oceano, que roteirizou, dirigiu e no qual também atuou. O filme participou de festivais no Brasil e no exterior, conquistando 15 prêmios, entre eles o de Melhor Filme no Porto Femme International Film Festival, Portugal. Pelo trabalho, Djin foi indicada ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2021, na categoria Melhor Primeira Direção de Longa-Metragem, e ao Prêmio da Associação Brasileira de Autores Roteiristas (ABRA), pelo roteiro.

Em 2022, dirigiu e roteirizou, ao lado de André Guerreiro Lopes, o curta-metragem Antes do Amanhã. A obra recebeu o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio de Melhor Fotografia, sendo exibida em festivais como o 33º Festival Internacional de Curtas de São Paulo e o Beijing International Short Film Festival, entre outros.

Seu segundo longa-metragem, Eclipse (2025), foi filmado em São Paulo e no Pantanal.

Como atriz, Djin recebeu inúmeros prêmios, incluindo o de Melhor Atriz de Cinema pela APCA, Melhor Atriz no 12º Festival de Cinema Luso-Brasileiro, em Portugal, Melhor Atriz Coadjuvante no 39º Festival de Cinema de Brasília e Melhor Atriz no 24º Cine PE, em 2021.

É sócia da Mercúrio Produções Ltda., fundada em 2001 por Helena Ignez, Djin e Sinai Sganzerla. A produtora reúne mais de trinta filmes em seu catálogo e recebeu inúmeros prêmios ao longo de sua trajetória. Djin é filha dos cineastas Rogério Sganzerla e Helena Ignez, ícones do cinema brasileiro.

a produtora

Mercúrio

Produções

Mercúrio Produções Ltda, produtora fundada por Helena Ignez, Djin Sganzerla e Sinai Sganzerla, é responsável por toda a obra cinematográfica do cineasta Rogério Sganzerla, além das produções audiovisuais próprias de suas fundadoras. A produtora tem mais de trinta filmes em seu currículo e inúmeros prêmios.

Alguns dos filmes da produtora

Patrocínio / Parceiros e apoio
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